Nikola Tesla, Reich e De Marco…gênios a frente do tempo – Parte 2

energenio tesla 31Muito se relaciona a destruição da imagem de Tesla às ações e atitudes de Thomas Edison, J.P.Morgan e Westhinghouse. Todos teceram através de suas influências uma imagem tosca de um grande gênio. Essa mancha não macula a genialidade de Thomas como inventor, …mas coloca dúvidas sobre seu caráter como empresário. O verdadeiro legado de Tesla está sendo reconhecido. A Corte Suprema dos Estados Unidos declarou pouco após sua morte que Tesla era o verdadeiro inventor do rádio e não Guglielmo Marconi. Tesla foi reconhecido como o inventor da lâmpada fluorescente, o tubo amplificador a vácuo e a máquina de raios X.

Os livros de história começam a reparar tamanha injustiça. As pessoas bem sucedidas podem não ser as mais brilhantes, mas sim aquelas que sabem lidar com as regras do jogo da fama e da riqueza. Tesla era um discípulo da ciência pura e não da ciência aplicada e não sabia como lucrar com suas idéias. Seus parceiros (parceiros?) de negócios frequentemente não agiam com lisura e Tesla contribuía tomando desastradas decisões financeiras.

A história de Tesla trás grandes lições que puxam a uma reflexão individual por vezes dolorosa. Tesla chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel de Física, juntamente com Edison, mas Tesla recusou-se a recebê-lo.

O que sabemos é que quanto mais avançamos na tecnologia mais escutamos falar de Tesla. Como um fantasma cuja energia nunca acaba, Tesla retorna a zombar da nossa pobre capacidade de lidar com o novo e aliado a ele o que chamamos de moderno ou tecnológico.

É pra pensar.. Nikola Tesla ainda é um homem à frente do nosso tempo. O Superman morreu. Tesla continua cada vez mais vivo!

Opiniões pessoais

Tesla acreditava que a guerra não poderia ser evitado até que a causa de sua recorrência foi removido, mas se opôs às guerras em geral. Ele possuía um ódio de guerra, de seus pais e pátria, e tentou acabar com a guerra cientificamente através da elaboração de medidas de proteção que impeçam as guerras. Ele encontrou exceções e algumas situações justificáveis ??onde o conflito era necessário. Ele previu guerras de máquinas, não de seres humanos e de armas mais terríveis no futuro. Um sistema para “projetar energia não dispersivo de concentrados através de mídia natural”, conhecida como teleforce teria sido desenvolvido mais tarde em sua vida. Teleforce era suposto ter sido um tipo de arma de feixe de partículas defensiva.

Procurou para reduzir a distância, tais como em comunicação para uma melhor compreensão, a transmissão, transporte e de energia, como um meio para assegurar amigáveis ??relações internacionais. Tesla previsto,

“Um dia o homem vai se conectar seu aparelho ao Wheelwork muito do universo … e as mesmas forças que motivam os planetas em suas órbitas e levá-los para rodar vai rodar sua própria máquina.”

Como muitos de sua época, Tesla, um celibatário ao longo da vida, tornou-se um defensor da criação de uma versão auto-imposto seletivo de eugenia. Em uma entrevista de 1937, ele declarou:

[…] Novo sentido do homem de piedade começou a interferir com o funcionamento implacável da natureza. O único método compatível com as nossas noções de civilização e da raça é evitar a reprodução dos inaptos por esterilização e orientação deliberada de o instinto de acasalamento […]. A tendência de opinião entre os eugenistas é que temos de fazer o casamento mais difícil. Certamente ninguém que não é um pai desejável devem ser autorizados a produzir descendência. Um século a partir de agora ele não vai mais ocorrer para uma pessoa normal para acasalar com uma pessoa eugenicamente impróprios do que se casar com um criminoso habitual.

Em 1926, Tesla, em entrevista, comentando sobre os males da subserviência social das mulheres e a luta das mulheres em direção a igualdade de gênero, indicaram que o futuro da humanidade seria executado por “abelhas rainhas”. Ele acreditava que as mulheres se tornaria o sexo dominante no futuro.

Citações…

” Meus inimigos têm sido tão bem sucedido em retratar-me como um poeta e um visionário, que eu devo colocar para fora algo comercial, sem demora . ” – Nikola Tesla
” A guerra não pode ser evitado até que a causa física para a sua recorrência é removido e este, em última análise, é a vasta extensão do planeta em que vivemos. Somente através da aniquilação de distância em todos os aspectos, como o envio de informações, transportes de passageiros e de suprimentos e de transmissão de energia serão as condições ser trazido algum dia, garantindo a permanência de relações de amizade. O que queremos agora é um contato mais próximo e uma melhor compreensão entre indivíduos e comunidades em todo o mundo, ea eliminação do egoísmo e do orgulho que é sempre propensos a mergulhar o mundo na barbárie primitiva e conflitos … A paz só pode vir como uma consequência natural da iluminação universal […] “- Nikola Tesla, a revista experimentador Elétrica, 1919.

” Somos confrontados com problemas portentosos que não podem ser resolvidos apenas pela previsão de nossa existência material, no entanto abundantemente. Pelo contrário, o progresso nessa direção é cheia de perigos e perigos não menos ameaçadoras do que aqueles nascidos da miséria e sofrimento. Se foram para liberar a energia dos átomos ou descobrir alguma outra maneira de desenvolver energia barata e ilimitada em qualquer ponto do globo esta realização, em vez de ser uma bênção, pode trazer desastre para a humanidade […] O bem maior virá a partir de as melhorias técnicas que tende a unificação e harmonia, e meu transmissor sem fio é preeminentemente tal Por meio dela, a voz humana e semelhança será reproduzido em todos os lugares e as fábricas dirigido a milhares de quilômetros do fornecimento cachoeiras do poder;. máquinas aéreas será impulsionado em torno da Terra sem uma parada e energia solar controlada para criar lagos e rios para fins motoras e de transformação de áridos desertos em terra fértil […] “- Nikola Tesla, a revista experimentador Elétrica, 1919.

” Assim que [a instalação] Wardenclyffe está concluído, será possível para um homem de negócios em Nova York ditar instruções e tê-los instantaneamente aparecem em tipo em seu escritório em Londres ou em outro lugar. Ele será capaz de chamar, de sua mesa, e conversar com qualquer assinante de telefone no mundo, sem qualquer mudança no equipamento existente. Um instrumento barato, não maior do que um relógio, permitirá seu portador para ouvir em qualquer lugar, em mar ou terra, música ou canção, o discurso de um líder político, o endereço de um eminente homem de ciência, ou o sermão de um clérigo eloqüente, entregue em algum outro lugar, porém distante. Da mesma maneira, qualquer imagem, personagem, desenho ou de impressão podem ser transferidos de um para outro lugar … ” – Nikola Tesla, “O Futuro da Arte Wireless”, Wireless Telegraphy e Telefonia, 1908, pg. 67-71.

” Não é um sonho, é uma tarefa simples de engenharia elétrica científica, apenas caro – cego, pusilânimes mundo, duvidando! […] A humanidade ainda não está suficientemente avançada para ser bom grado levado pelo senso do descobridor busca interessados . Mas quem sabe Talvez seja melhor neste mundo nosso que uma idéia revolucionária ou invenção em vez de ser ajudado e deu um tapinha, ser dificultada e mal-tratada em sua adolescência? – por falta de meios, por interesse egoísta, pedantismo estupidez, .. e da ignorância; que seja atacada e sufocada; que passar por provações e atribulações amargas, através da luta de existência comercial Então nós começamos a nossa luz Então tudo o que foi grande no passado foi ridicularizado, condenado, combatido, reprimido – apenas a emergir ainda mais poderosa, ainda mais triunfante da luta. ” – Nikola Tesla (no final do seu sonho para Wardenclyffe) [Wardenclyffe – Um Sonho perdida]

DR WILHELM REICH

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Nascido em 1897, ele foi um cientista comprometido com as questões do seu tempo. Sempre compreendeu a realidade individual dentro do seu contexto social, dedicando-se a biologia, psicologia, antropologia, sociologia, física…sempre interligando-as. No âmbito socio-politico sua pesquisa foi fundamentada em um conjunto de referências relativas as sociedades primitivas, ao anarquismo, ao socialismo e a democracia. Os seus estudos sobre etimologia enfatizaram as questões da vida comunitária, da liberdade sexual, do amor natural, do anarquismo e do exercício da liberdade pessoal.

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A sua produção literária é enorme. Dezenas de livros escritos. Ele vai criando em torno de si uma aura de interesse muito grande nos EUA e pelo mundo, seus livros são traduzidos para vários idiomas. Sempre presente nas universidades, em conferências, criando uma nova postura na mente de muitos intelectuais que estavam repensando a sexualidade na época.

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TEve uma vida feliz, teve filhos, foi um homem realmente a frente de seu tempo e que dispunha de uma sensibilidade maravilhosa. Nesse sentido ele começou a incomodar muito os setores conservadores norte americanos. Era década de 1950 e Reich presente em todos os lugares onde esse pessoal estava. E quando ele começa, de uma forma mais intensa, a falar sobre orgasmo, sexualidade, a discutir a educação das crianças americanas propondo novas formas delas viverem afetivamente a sua sexualidade, ele vai criando em torno de si um ambiente muito hostil.

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Em determinado momento ele acessa a energia livre, a energia cósmica, por conta dos seus estudos o que ele chama de orgônio e ele cria caixas onde pessoas são curadas de câncer e outras doenças ligadas a desequilíbrio energético.

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Dedicou-se também a criar chuva, por conta disso ele criou os “cloud Busters”, que realmente conseguia fazer chover. A partir de então os militares começara a ficar de olho nele e a sua situação ficou muito complicada. Processos começaram ser movidos contra ele, tanto por conta de seus livros e posteriormente pelos equipamentos que faziam chover. Ele foi preso em 1957 e no mesmo ano morto na prisão.

Quem foi Wihelm REich

Wilhelm Reich (1897-1957) foi um psicanalista austríaco, discípulo de Sigmund Freud que criou, a partir da Psicanálise uma nova abordagem terapêutica a qual, além das intervenções verbais, de fundamentação psicanalítica, também inclui intervenções corporais. Esta abordagem terapêutica foi inicialmente chamada de Vegetoterapia Caractero-Analítica e posteriormente de Orgonoterapia. Atualmente, é comum referirmo-nos a ela simplesmente como Psicoterapia Reichiana.

Reich ingressou na IPA (Associação Internacional de Psicanálise) em 1920 quando era ainda estudante de medicina, permanecendo oficialmente vinculado a esta instituição até 1934. Em 1921 passou a atender pacientes encaminhados por Freud, na Clínica Psicanalítica de Viena, da qual mais tarde foi eleito diretor. Em 1922 criou, com apoio de Freud, o Seminário de Técnica Psicanalítica de Viena, destinado à pesquisa e ao aperfeiçoamento da abordagem psicanalítica. A partir de seus estudos sobre o manejo clínico da transferência e da resistência, desenvolveu a Análise do Caráter, uma das mais importantes contribuições à abordagem clínica da psicanálise.

Seu interesse em compreender as origens sociais das doenças mentais e buscar métodos de prevenção das neuroses, levou-o a desenvolver um trabalho sócio-político intenso junto a juventude operária alemã, trabalho este que recebeu a denominação de Sexpol. Sua atuação político-social custou-lhe muitas perseguições pois, nessa época, a Alemanha estava vivendo o auge da ascensão do nazismo. Custou-lhe também o seu desligamento da IPA, uma vez que seus dirigentes temiam que seu envolvimento político pudesse ameaçar a sobrevivência desta sociedade na Alemanha hitlerista. Para não ser preso pelos nazistas, Reich precisou fugir da Alemanha, em 1934, refugiando-se em Oslo na Noruega.

Na Universidade de Oslo, sua pesquisa clínica e experimental sobre a dinâmica biopsíquica das emoções permitiu que ele descobrisse o fenômeno do encouraçamento, elucidando aspectos fundamentais da relação entre soma e psiquismo. Suas pesquisas sobre a energia orgônica forneceram nova fundamentação às concepções energéticas mais antigas, permitindo correlacioná-las com os conceitos freudianos de libido e energia psíquica e demonstrando sua relação com a sexualidade. Suas pesquisas sobre a biopatia do câncer demonstraram como esta, e outras patologias, são engendradas num longo processo de desequilíbrio emocional e bioenergético.

Reich foi, sem dúvida, um importante pioneiro no estudo dos fenômenos psicossomáticos. Suas descobertas não se limitam a explicar o envolvimento psíquico nas doenças orgânicas, mas também o envolvimento de disfunções corporais no caráter neurótico e nas psicopatologias.

Theodore Wolfe, importante pesquisador em Psicossomática, foi a Oslo estudar com Reich e traduziu para o inglês várias de suas obras. Em 1939, Reich mudou-se para os Estados Unidos a convite de Wolfe que, juntamente com sua esposa Francis Dunbar, e Franz Alexander, fundaram, neste mesmo ano, a Sociedade Americana de Medicina Psicossomática.

A partir da década de 40 a Medicina Psicossomática oficial afastou-se de Reich, principalmente devido às perseguições políticas que ele passou a sofrer nos EUA. Desta forma, a Medicina Psicossomática não assimilou as descobertas posteriores de Reich, nem incorporou seus métodos terapêuticos, ficando assim desprovida de uma abordagem clínica própria. O conhecimento reichiano evoluiu como uma especialidade terapêutica independente.

A partir de 1945 as descobertas de Reich se diversificaram, passando a abranger outros campos do conhecimento além da clínica, como a Puericultura, a Psicologia de Massas e a pesquisa experimental em Ciência Orgonômica, dentre outros.

O Assassinato Científico de um Revolucionário Sexual: Como os EUA Interromperam a Utopia Orgásmica de Wilhelm Reich

Por Jason Louv, 2013 – Esse foi o maior incidente de perseguição científica da história norte-americana. Em julho de 1947, o Dr. Wilhelm Reich — um psicanalista brilhante, porém, problemático que já tinha sido o estudante mais promissor de Freud; que já havia enraivecido os nazistas e os stalinistas bem como as comunidades psicanalítica, médica e científica; que sobreviveu a duas guerras mundiais e fugiu para Nova York — estava morrendo em sua cela numa prisão em Lewisberg, Pensilvânia, acusado pelo governo de ser uma fraude médica engajada num “golpe sexual”.

Esse “golpe” um dia seria chamado de “revolução sexual”. Mas ainda era 1947 nos Estados Unidos — um país que não estava nem pronto para a psicanálise, uma ciência ainda nascente que a Harper’s e o The New Republic categorizaram, juntamente com as teorias de Reich, como sendo não melhores do que a astrologia (a Harper’s tinha decidido que Reich era o líder de um “novo culto de sexo e anarquia”).

Se o público norte-americano não estava pronto para o Dr. Freud, imagine para o Dr. Reich — um homem que pesquisava a força energética do orgasmo em si em seu instituto Orgonon, próximo de Rangely, Maine.

Reich tinha levado as teorias de Freud mais longe. Longe demais, de acordo com o FDA (a Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos). Começando com a conexão de Freud entre repressão sexual e neurose, Reich teorizou que era a inabilidade física de se render ao orgasmo o que gerava a neurose e, por fim, levava as pessoas ao fascismo e ao autoritarismo. Reich migrou da cura de Freud pela fala para algo chamado análise do caráter, uma terapia criada para ajudar seus pacientes a superarem bloqueios físicos e respiratórios que os impediam de experienciar o prazer. Finalmente, ele afirmou que o orgasmo era uma expressão do orgônio, uma força cheia de alegria da própria vida. Com aparelhos do tamanho de cabines telefônicas chamados acumuladores de orgônio, ele aproveitaria essa força para curar a neurose, doenças e até para afetar o clima e ajudar a agricultura.

Por causa dessas linhas de pesquisa, o FDA exigiu que Reich comparecesse ao tribunal para defender a si mesmo em 1954. Ele se recusou, afirmando que alegações da verdade científica deveriam ser resolvidas pela experiência, não num tribunal. O tribunal respondeu emitindo uma liminar contra a venda e transporte de seus aparelhos através das fronteiras dos estados e passou a queimar sistematicamente seus livros e periódicos. Não apenas o trabalho escrito de Reich, mas qualquer material escrito que contivessea palavra “orgônio” deveria ser destruído (paranoico e encurralado, Reich recusou a ajuda oferecida pela ACLU, a União Americana pelas Liberdades Civis, acreditando que a organização estava cheia de comunistas subversivos). Agentes da FDA também destruíram seus aparelhos e laboratório com machados — mas isso não foi tudo. A FDA levaria a perseguição da psicanálise austríaca muito mais longe.

O que havia nesse homem e em suas teorias que evocou o ódio de quase toda facção política e científica de sua época? O que havia em sua “revolução sexual” que valeu um arquivo do FBI de 789 páginas sobre Wilhelm Reich? O que provocou uma campanha sistemática de ataques que dificilmente faria pensar na América sã e racional que tinha acabado de vencer uma guerra contra os nazistas queimadores de livros — ataques que fariam lembrar a Inquisição, a morte de Giordano Bruno na fogueira ou o final de Frankenstein, com aldeões enraivecidos segurando tochas e forcados queimando o castelo do cientista louco?

O Combate Sexual da Juventude

Reich nasceu em 24 de março de 1897, numa fazenda na Galícia, Áustria-Hungria, no que hoje é a Ucrânia. Ele abraçou sua sexualidade bem cedo, tentando, sem sucesso, fazer sexo com a babá de seu irmão quando tinha quatro anos e meio, e finalmente conseguindo com a cozinheira da família aos 11. Aos 12, Reich descobriu sua mãe fazendo sexo com um de seus tutores. Quando ele contou ao pai, o homem espancou repetidamente a mãe de Reich até que ela cometesse suicídio. Reich se culpou pelo caso.

Dos 15 aos 17, ele fez diversas visitas a bordéis e registraria fantasias sexualizadas com sua mãe em seu diário aos 22 anos (naquele mesmo ano, ele conheceu Sigmund Freud, cujas teorias do complexo de Édipo podem ter influenciado essa confissão). Lore Reich Rubin, a segunda filha de Reich, diria mais tarde ao jornalista Christopher Turner que acreditava que Reich tinha sido vítima de abuso sexual na infância.

Enviado para o Exército durante a Primeira Guerra Mundial, Reich viu “a desumanidade do homem para com o homem” em primeira mão na frente italiana. Depois disso, ele estudou medicina na Universidade de Viena, onde ficou insatisfeito com o que considerava uma abordagem “mecanicista” da vida na dissecação fria de cadáveres por seus colegas estudantes. Assim, ele começou uma busca pela energia criativa que sentia como sendo subjacente à vida. Em1919, ele conheceu Sigmund Freud. Bem recebido no movimento psicanalítico em expansão, Reich recebeu a permissão para começar a atender pacientes aos 22 anos — ele logo ficaria marcado como o pupilo estrela de Freud, alguém talvez destinado à liderança.

Freud tinha identificado a raiz da neurose na sexualidade reprimida e a força motora da vida como sendo a libido — afirmando que “nenhuma neurose é possível com um vita sexualis normal”. Seus dois grandes estudantes, Jung e Reich, deveriam levar sua teoria mais longe. Entretanto, enquanto Jung abordaria o caminho da mitologia, simbolismo e do oculto, Reich se aventuraria numa direção completamente diferente: o corpo.

Para além do reino da repressão psíquica, Reich postulou que o trauma também era reprimido fisicamente. Uma criança que sofreu abuso, por exemplo, e que não possuía o desenvolvimento emocional para processar tal evento, iria “armazenar” o trauma como tensão muscular, o que poderia causar dores crônicas mais tarde na vida e formar o físico e o caráter geral do indivíduo, sua abordagem para a existência. Reich acreditava que o caráter fascista era criado por um trauma inicial e que uma atitude repressiva ou abusiva para com a sexualidade se manifestava como uma “rigidez” física e emocional na vida adulta — Reich se preocupava com nada menos do que a erradicação do fascismo e do autoritarismo.

A abordagem de Reich da terapia, portanto, iria além da simples cura pela fala: ele também usaria massagens profundas e frequentemente dolorosas nas áreas de tensão muscular do paciente para liberar o trauma enterrado e trabalhar com os pacientes para aprofundar sua respiração e expressar suas emoções ignoradas, até mesmo sua raiva reprimida. Foi essa abordagem, combinada à atitude pró-sexualidade de Reich, que escandalizou o público e colocou sua carreira num foguete para lugar nenhum. (Embora bastante conservador em algumas áreas — ele se opunha à pornografia e à homossexualidade, por exemplo — Reich teve casos com várias pacientes no começo de sua carreira, ao final das terapias. Isso não era incomum nos primórdios da psicanálise; mesmo Freud discutiu a inevitabilidade dos casos amorosos. Em sua busca por liberar a energia da vida, Reich mais tarde receberia pacientes parcialmente ou totalmente despidos, quebrando totalmente a neutralidade analítica).

Reich logo descobriu que trabalhar os bloqueios tanto na psique quanto na musculatura poderia criar uma imensa liberação emocional em seus pacientes, desencadeando inclusive sentimentos de exaltação física e êxtase (Reich chamou essas sensações físicas de “correntes orgonóticas”). Conforme sua prática continuou, ele veio a teorizar que, abaixo das camadas de repressão muscular, havia o que ele chamava de “potência orgásmica” e que era a repressão muscular que blindava seus pacientes da total liberação orgásmica — uma experiência completa de vida.

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Um diagrama do funcionamento reativo e econômico-sexual do livro A Função do Orgasmo.

Em 1948, ele codificaria sua teoria em sua maior obra, A Função do Orgasmo, na qual afirmava que o orgasmo existia não somente como função reprodutiva, mas como uma maneira de o corpo regular a tensão e atingir a liberação emocional. A total liberação orgásmica — na qual o indivíduo não procura reprimir a função de forma física e psicológica — era vista por Reich como uma chave para a saúde mental. Como ele escreveu no livro: “Doenças psíquicas são o resultado de distúrbios na capacidade natural de amar” (Reich se casaria e se divorciaria três vezes — com a psiquiatra e ex-paciente Annie Pink, de 1924 a 1934, com quem ele teve duas filhas; com a dançarina Elsa Lindenberg, com quem ele teve um casamento aberto de 1933 até 1939, e com Ilse Ollendorff, com quem teve um filho, Peter, de 1946 a 1951. Paradoxalmente, Reich é lembrado como sendo cruel, infiel e ciumento em seus relacionamentos).

Freud era ambivalente sobre as ideias de seu discípulo. Em 1926, ele escreveu: “Não me oponho de maneira alguma à sua tentativa de resolver o problema da neurastenia explicando isso com base na ausência de primazia sexual”. No entanto, ele retirou seu apoio às teorias mais extremas de Reich dentro da comunidade psicanalítica mais ampla, talvez pensando na preservação de suas próprias vitórias culturais duramente conquistadas no campo da sexualidade. Sem o apoio de Freud, a comunidade psicanalítica logo lavou as mãos sobre o jovem analista.

Então, as coisas deram uma guinada para pior para Reich. Lutando com as reações contrárias a ele durante 1926, ele pediu para ser analisado por Freud. Seu mentor e figura paterna recusou seu pedido de ajuda. Reich ficou profundamente magoado. Logo em seguida, seu irmão morreu de tuberculose; Reich também contraiu a doença e passou um ano num sanatório em Davos, Suíça. Chocado por essa sequência de eventos, ele se tornou um radical e logo se juntou ao Partido Comunista. Testemunhando pessoalmente quando a polícia indiscriminadamente matou 84 trabalhadores e feriu 600 na Revolta de Julho de 1927, em Viena, Reich se convenceu de que havia algo muito errado com o mundo. A polícia não havia sido somente brutal, segundo ele observou, mas robótica, como se estivesse num transe — blindados.

Trabalhando nas ruas, Reich fez a conexão entre a repressão sexual com a repressão econômica que via ao redor. Ele abriu diversas clínicas em Viena, oferecendo análise, assim como educação sexual e contraceptivos para jovens da classe trabalhadora (na época, os liberais defendiam o uso de contraceptivos somente para pessoas casadas).

energenio tesla 27Reich com sua primeira esposa, Annie, que o conheceu como paciente aos 18 anos. Reich se mudou para Berlim em 1930, bem em tempo de testemunhar a ascensão dos nazistas – o ápice da blindagem de caráter. No entanto, apesar de continuar a desenvolver suas teorias e a escrever os comunistas também mostravam pouco interesse por seu material.

Seu contrato com os Editores Psicanalíticos Internacionais foi cancelado depois que ele começou a defender a educação sexual e os contraceptivos para adolescentes em vez da abstinência – ele chegou a sugerir que a expressão sexual desmistificada para crianças podia ser crucial para criar adultos saudáveis e que suas perguntas deveriam ser respondidas de maneira franca. Em 1932, num livro chamado O Combate Sexual da Juventude, o Dr. Reich protestou contra as mensagens mistas sob as quais os adolescentes lutavam para entender sua sexualidade.

“Os jovens são contaminados por um lado por moralistas e defensores da abstinência e, por outro lado, pela literatura pornográfica”, escreveu. “Ambas as influências são extremamente perigosas, a última não menos do que a primeira.” Naquele momento, na Alemanha, as apostas eram altas, observou o psiquiatra aos 27 anos: “A miséria sexual dos jovens modernos é imensurável, mas muito disso está fora de vista, abaixo da superfície”. Seus oponentes tomaram essa declaração com o significado de que as crianças deveriam assistir o coito dos pais, apesar de Reich jamais ter defendido isso.

Ele persistiu, argumentando fortemente contra a monogamia e defendendo “relacionamentos amorosos duradouros” que não seriam codificados pela lei, mas unidos pelo amor; qualquer outra coisa levaria a um “embotamento sexual”. Ele atacou o status de dependência econômica das mulheres, que mantinha elas presas em casamentos forçados. E, o mais radical de tudo, ele sugeriu que as crianças deviam ser criadas por uma comunidade estendida, libertando-as, assim, das neuroses de seus país biológicos. (Essas atitudes eram até certo ponto influenciadas por experimentos sociais similares que ocorriam na União Soviética.)

Dr. Reich estava entrando num território tabu que poucos ousaram violar, um território que permaneceria tabu até muito depois dele. Mas suas experimentações – e, particularmente, a resposta que ele engendrou – o mudaram, para melhor ou pior. Quando ele se encontrou com Freud novamente em 1930, seu ex-mentor parecia agora diminuído. Dr. Freud, escreveu ele, era um “animal enjaulado”.

Em 1933, a postura sexual do Dr. Reich levou os nazistas a uma ação. Ele e sua amante escaparam para a Dinamarca – para serem expulsos pelo Partido Comunista Dinamarquês. Então, eles partiram para a Suécia, onde Reich foi colocado sob vigilância; depois de a polícia ver vários pacientes entrando e saindo de seu hotel, eles ficaram convencidos de que ele era um cafetão. As autoridades negaram sua permanência no país. Mais choques se seguiriam: não só seu contrato de publicação do livro Análise de Caráter tinha sido cancelado, como, em 1934, quando ele apareceu na conferência anual da Associação Internacional de Psicanálise em Lucerna, ele foi informado que tinha sido expulso no ano anterior. Como convidado, ele apresentou um trabalho na conferência, mas o episódio marcou o fim de seus laços com a comunidade científica predominante para sempre.

“Disseram-me que meu trabalho em psicologia de massas, que era direcionado contra a irracionalidade do fascismo, tinha me colocado numa posição demasiada exposta”, ele escreveria mais tarde. “Por isso, minha filiação […] não era mais sustentável. Quatro anos mais tarde, Freud fugiu de Viena por Londres, onde os grupos de psicanálise foram destruídos pelos fascistas […] Subsequentemente, evitei contato com meus antigos colegas. O comportamento deles não era nem melhor nem pior do que o normal em casos assim. Isso era baixo e desinteressante. Uma boa dose de banalidade é tudo o que é preciso para abafar um assunto.”

“Consegui um Acumulador de Orgônio – E Isso Fez Eu me Sentir Incrível”

Foi na Noruega, onde ele se estabeleceu nos cinco anos seguintes, que o Dr. Reich desenvolveu uma nova teoria: ele passou a acreditar que o orgasmo carregava uma energia real, batizada de orgônio e expressa não somente pela resposta orgásmica, mas, na verdade, na energia vital em si. Essa energia, em sua visão, permeava a natureza e o cosmos, expressando-se em fenômenos atmosféricos como a aurora boreal. (Freud tinha postulado uma teoria semelhante em 1890, mas desistiu da ideia.) Mais tarde, o Dr. Reich afirmou que o orgônio poderia ser observado de forma objetiva e que era composto de partículas azuis chamadas bions que ele havia observado no microscópio. Essa talvez seja a teoria mais controversa de Reich – uma tentativa de mover a psicanálise para além do reino das “ciências humanas” e direcioná-la para o campo da física e da biologia. Para a comunidade de psicanálise, isso era pura heresia.

Depois de enfurecer os psicanalistas, os comunistas e os fascistas, Dr. Reich agora se preparava para enfrentar o ataque direto da comunidade científica como um todo. Cientistas noruegueses travaram uma guerra contra ele na imprensa liberal, rejeitando sua pesquisa (e se recusando a submetê-la a um estudo detalhado de controle) e buscando deportá-lo. O governo norueguês, que já tinha sido criticado por deportar Trotsky, permitiu a estadia de Reich – mas o proibiu de praticar a psicanálise.

Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, Reich, então com 36 anos, fugiu para os Estados Unidos, estabelecendo residência em Forest Hills, Queens, e realizando experiências onde injetava bions em ratos com câncer. Mas Reich continuou a ser um ímã de infortúnio. No dia 12 de dezembro de 1941, cinco dias antes do ataque a Pearl Harbor e um dia depois que a Alemanha declarou guerra aos Estados Unidos, ele foi preso pelo FBI na Ilha Ellis. Mais tarde, isso se revelou um caso de identidade trocada com um dono de livraria comunista de New Jersey também chamado Wilhelm Reich – mas o FBI só iria reconhecer o erro dois anos depois, em novembro de 1943. Pelo resto daquele mês, Reich foi deixado dormindo no chão da cela juntamente com os membros presos do Bund Germano-Americano, uma organização nazista norte-americana que Reich estava convencido que queria matá-lo.

O FBI liberou Reich depois que ele ameaçou começar uma greve de fome, mas ele continuou na “lista de figuras chave” da Unidade de Controle de Inimigos Estrangeiros e ficou sob vigilância do Estado. O incidente demonstrou a Reich que ele podia ter deixado a Europa para trás, mas que não havia escapatória da psicologia de massas do fascismo.

Reich se tornou mais comprometido do que nunca com a causa de quebrar a blindagem emocional da humanidade. Em seguida, ele começaria a projetar o que se tornaria sua maior controvérsia: uma tentativa de aproveitar e concentrar orgônio com gaiolas de Faraday adaptadas, que ele chamou de acumuladores de orgônio. Isolados com materiais orgânicos como madeira e papel, o que Reich acreditava que forçava a energia do orgônio a oscilar dentro da caixa, o acumulador, segundo ele, podia curar distúrbios mentais e físicos – potencialmente até o câncer. No dia 13 de janeiro de 1941, Reich levou o dispositivo até Albert Einstein, que o testou entusiasmadamente e notou que os acumuladores criavam um aumento de temperatura. Mas quando o assistente de Einstein, o físico polonês Leopold Infeld, sugeriu que o acumulador de orgônio estava produzindo calor simplesmente por causa do gradiente térmico da sala, já que isso era elevado do chão, Einstein rejeitou as caixas e se recusou completamente a admitir novos testes com elas. Para Reich, isso foi um eco amargo da rejeição de Freud, o desprezo de outro guardião estabelecido e potencial figura paterna.

Reich adquiriu terras em Rangely, Maine, e abriu seu instituto “Orgonon”, onde ele continuaria suas pesquisas. Além do orgônio, ele identificou uma segunda força – a DOR ou “Deadly Orgone Radiation” (“Radiação Mortal de Orgônio”), um tipo de antimatéria orgásmica presente na (e responsável pela) degradação ambiental, que ele acreditava cobrir o mundo. Ele logo passou a ver seu trabalho em oposição direta ao que o governo norte-americano tinha feito em Hiroshima e Nagasaki: ele estava numa corrida armamentista pela energia da vida, não pela energia da morte.

Foi aí que Reich começou a construir enormes armas de orgônio que ele chamava de “cloudbusters” e que, segundo ele, podiam reverter a desertificação e criar chuva. Apesar de o governo usar a tecnologia de semeadura de nuvens desde os anos 1940 para tirar água de nuvens com iodeto de prata ou gelo seco, Reich usou uma abordagem menos convencional. Sua técnica de semeadura de nuvens pretendia tirar energia “ôrgonica” diretamente da atmosfera através de uma série de canos e depositá-la no solo ou num corpo de água, como um para-raios, criando nuvens na esteira do orgônio canalizado. Fazendeiros começaram a pagar para que ele produzisse chuva para suas plantações – supostamente com sucesso, pelo menos de acordo com os seus próprios relatórios.

Durante essa época, Reich afirmou que seus experimentos com as cloudbusters tinham gerado interesse de visitantes inesperados: ele acreditava que OVNIs alienígenas, ou “alfas de energia” na terminologia de Reich, estavam atacando a terra com DOR. Reich disse ter visto várias naves alienígenas sobre o Orgonon; uma vez, segundo o analista, ele e seu filho usaram uma cloudbuster para defender a Terra numa “batalha interplanetária em larga escala” no Arizona.

A resposta do FDA aos empreendimentos de Reich foi declará-lo uma “fraude de primeira magnitude” e obter uma liminar proibindo o envio interestadual de acumuladores de orgônio e qualquer literatura relacionada. Quando um dos associados de Reich desobedeceu a liminar, contra a vontade de Reich, e transportou um acumulador através das fronteiras estaduais, Reich foi preso por desacato e sentenciado a dois anos de cadeia.

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Reich sendo escoltado para a Penitenciária Federal de Lewisburg, março de 1957.

Na Prisão Federal de Lewisburg, Reich ficou conhecido entre os outros prisioneiros como o “homem da caixa de sexo”. Em novembro de 1957, aos 60 anos, ele morreu de ataque cardíaco, dias antes de ser colocado em liberdade condicional. Nenhuma publicação psiquiátrica ou científica cobriu seu falecimento. Além de alguns jornais anarquistas, seu trabalho ganhou um obituário de apenas um parágrafo na Time:

“Faleceu. Wilhelm Reich, 60 anos, psicanalista outrora famoso, depois, mais conhecido por suas teorias não ortodoxas sobre sexo e energia; de ataque cardíaco; na Penitenciária Federal de Lewisburg, Pensilvânia; onde ele cumpria uma pena de dois anos por distribuir sua invenção, o ‘acumulador de orgônio’ (violando uma liminar do FDA), um aparelho do tamanho de uma cabine telefônica que supostamente reuniria energia da atmosfera e podia curar, quando o paciente se sentava dentro dele, gripes comuns, câncer e impotência.”

Uma década depois, no meio dos anos 1960, a Time ponderou que “Dr. Wilhelm Reich talvez tenha sido um profeta”, e “Agora, às vezes, parece que toda a América é uma grande caixa de orgônio”. Mas, em 1957, o mundo pouco se importou. Em vez de testar suas teorias ou simplesmente descartá-las, a FDA queimou Reich numa grande fogueira.

Eu Ainda Sonho com Orgonon…

Em sua busca por desenterrar as raízes das neuroses sexuais da humanidade, Reich desafiou quase todo o tabu da civilização ocidental, enfureceu quase toda força estabelecida da época e morreu na prisão por seus esforços. No entanto, sua influência pode ser ainda maior do que geralmente é creditado a ele.

Enquanto Reich definhava na prisão, a revolução sexual que ele tinha ajudado a iniciar estava começando a se manifestar. Elvis fez sua estreia na TV em 1956, mexendo seus quadris de uma maneira que, decididamente, irradiava orgônio, demonstrando o tipo de libertação de blindagem de caráter que Reich provavelmente queria de seus pacientes. No meio dos anos 1960, com o lançamento da pílula anticoncepcional, a revolução sexual estava em pleno andamento. (Aliás, “revolução sexual” é um termo cunhado por Reich.)

“QUANDO ENTREI NO ACUMULADOR E ME SENTEI, NOTEI UM SILÊNCIO ESPECIAL QUE, ÀS VEZES, SE SENTE NAS FLORESTAS PROFUNDAS […] MINHA PELE ARREPIOU E EXPERIMENTEI UM EFEITO AFRODISÍACO SIMILAR AO DE UMA ERVA BOA E FORTE. O ORGÔNIO É DEFINITIVAMENTE UMA FORÇA COMO A ELETRICIDADE.” – WILLIAM S. BURROUGHS

Estudantes que participavam dos protestos em Paris e Berlim em 1968 jogavam cópias do Psicologia de Massas do Fascismo de Reich nos capacetes dos policiais. Jack Kerouac e Allen Ginsberg abraçaram as teorias de Reich; William S. Burroughs investigou os acumuladores de orgônio por anos e escreveu extensivamente sobre eles em seu trabalho. Ele chegou mesmo a construir sua própria caixa acumuladora, onde ele entrava para escrever (enquanto fumava haxixe).

“Quando entrei no acumulador e me sentei, notei um silêncio especial que às vezes se experimenta nas florestas profundas, às vezes numa rua da cidade, um zumbido que é mais vibração rítmica do que um som”, escreveu ele em Junky. “Minha pele arrepiou e experimentei um efeito afrodisíaco similar ao de uma erva boa e forte. Não há dúvida, o orgônio é uma força definitiva como a eletricidade. Depois de usar o acumulador por vários dias, minha energia voltou ao normal. Comecei a comer e não consegui dormir mais de oito horas. Eu estava no período pós-cura.” Assim como fez com a ayahuasca, Burroughs tentou curar a si mesmo do vício em heroína e da síndrome de abstinência com o acumulador. (Apesar de tentar quase todas as curas para vício em heroína do planeta, Burroughs nunca conseguiu permanecer limpo por muito tempo e morreu num programa de manutenção com metadona.)

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Kurt Cobain visitou William Burroughs em 1993. “Sentei na máquina de orgônio e havia viúvas negras lá dentro, ele [Burroughs] ainda tinha uma e eu estava com medo, porque tenho aracnofobia. Ele teve que matar todas as aranhas para mim.”

Saul Bellow, J.D. Salinger, Michael Foucault e Norman Mailer também desenterraram Reich; como Burroughs, Mailer construiu seus próprios acumuladores e saiu em busca de liberar a si mesmo por meio do que ele descreveu como um “orgasmo apocalíptico” – em seu ensaio “The White Negro”, Mailer fala do antiautoritário como aquele que “busca amor […] amor como a busca de um orgasmo mais apocalíptico do que aquele que o precedeu”. Mesmo Sean Connery mergulhava em orgônio em seu próprio acumulador enquanto filmava alguns de seus filmes do James Bond.

O New York Times, numa crítica literária de A Psicologia de Massas do Fascismo, pediu uma reavaliação séria do trabalho do analista. Reich logo ficou tão em moda entre os intelectuais que, em 1968, Roger Vadim atormentou Jane Fonda com uma máquina do prazer criadora de orgônio em Barbarella, e Woody Allen fez uma paródia do acumulador de orgônio como o “Orgasmatron” em O Dorminhoco, de 1973. Quase uma década depois, Kate Bush e Terry Gilliam contariam a história de Reich no vídeo “Cloudbusting” de Bush, onde Donald Sutherland interpreta Reich e Bush faz o papel de seu filho Peter.

A ambivalência compreensível da disciplina psicanalítica sobre Reich não tinha mudado, mas a cultura sim. As ideias de Reich encontraram um interesse mais amplo. Como Norman Mailer resumiria depois para seu analista Walter Kendrick: “O que era importante para mim era a força, a clareza, o poder dos primeiros trabalhos [de Reich] e a audácia. E também o fato de que acredito, num sentido básico, que ele estava certo”.

As ideias de Reich nunca foram reavaliadas pela comunidade científica – nem pelos psicanalistas, que ainda o consideram uma mácula em sua história. Ainda assim, suas ideias terapêuticas se infiltraram numa comunidade psicanalítica mais ampla e tomaram novas formas, sob novos nomes, contribuindo para a psicologia corporal, psicologia do ego, a terapia Gestalt de Fritz Perls (que tenta tratar o paciente como um todo, não só seus sintomas individuais) e a terapia do grito primal de Janov (que, como a terapia de Reich, utiliza o grito e a vocalização para abrir a blindagem do paciente).

Em muitos aspectos, a influência de Reich pode ser detectada de modo mais flagrante na grande variedade de terapias corporais de “bem-estar” e mesmo na grande popularidade da massagem e da ioga. A ideia de Reich de que o homem era pego na “armadilha” da blindagem de seu próprio caráter encontrou um lar nos movimentos nascentes da Nova Era e do Potencial Humano.

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A casa, laboratório e escola de Wilhelm Reich é agora um museu em Rangeley, Maine. A antena astrolábio (esquerda) está montada no topo do observatório para detectar Energia de Orgônio. O lago Rangeley pode ser visto abaixo. Uma das “cloudbusters” de Reich (direita), no observatório. Fotos por Michael Kassner, CLUI.

Os livros de Reich continuam sendo publicados pela Farrar, Strauss e Giroux, e o American College of Orgonomy, em Princeton, Nova Jersey, continua sua linha de pesquisa, publicando o Journal of Orgonomy, realizando palestras públicas e oferecendo aulas de sensibilização. Terapeutas reichianos, apesar de em número cada vez menor, continuam a praticar suas ideias. O mundo dos reichianos, no entanto, continua fechado, seja por falta de interesse do público ou pela mentalidade de cerco dos defensores restantes de Reich. Alguns reichianos desonestos, como James De Meo, continuam a tentar novos experimentos, mas gerando cada vez menos publicidade. Os arquivos do Dr. Reich são mantidos pela Wilhelm Reich Infant Trust no Orgonon. Seu local de descanso final está na propriedade de 175 acres de floresta. O local é aberto a visitas.

Apenas 50 anos depois da revolução sexual que Reich previu, vivemos numa sociedade hiperssexualizada – um lugar onde somos constantemente barrados pelo oposto de repressão sexual. Tudo à nossa volta parece dificilmente acumular algum orgônio – propaganda, música pop, televisão, revistas, pornografia na internet.

Mas mesmo que a humanidade do século XXI possa parecer mais sexualmente liberada, Reich provavelmente teria visto o superestímulo da mídia como somente outra forma de “fugir” do contato amoroso com outro ser humano. Fervorosamente contra a pornografia, Reich talvez enxergasse uma civilização debruçada sobre computadores e bancadas de fábricas exploradoras, trocando a conexão com o físico pela conexão com um smathphone, e concluiria que a “praga emocional” continua viva e bem. Talvez ele enxergasse uma população mais blindada do que nunca, imersa num ambiente cheio de variantes da DOR, fora de contato com a vida, e necessitando talvez de uma liberação sexual completamente nova – um retorno ao mundo físico.

DR FREDERICO DE MARCO

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Para contar sobre a energia UM no Brasil, precisamos viajar no tempo, retrocedendo até 1940, em direção a ciade de Araraquara, que em Tupi Guarani era chamada de Aracoaara, “morada do sul”. O Dr Frederico foi um dos médicos mais queridos e respeitados da cidade. E que, além de médico, era também cientista. Ele era considerado por muitos como um homem a frente de seu tempo. E foi indicado ao premio Nobel por suas atividades com um cientista. Todas as suas ações foram concebidas pra o bem comum. Um grande homem e um brasileiro exemplar.

Estudou os campos magnéticos, os íons, prótons, elétrons, a ionosfera e a energia como um todo. Assim com muitos cientistas da sua época, baseou-se em Nikolas Tesla, e prosseguiu em pesquisas e descobertas. Compreendeu a natureza dos raios cósmicos, chamando-os de energia UM, e criou um aparelho para registrá-la.

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Mestre Ernesto de Lia, pintando um retrato de Frederico de Marco, em uma das raras fotos em que foi registrado. E como ninguém faz nada nessa vida sozinho, os amigos e colaboradores do Dr Marco: Edmundo Lupo (aviador), Raphael Luccas Martinez (Mestre mecânico), Manoel Rodrigues , Leopoldo Graciato e Benedito Brasileiro de Souza. Frederico utilizou seus conhecimentos em energia livre para propiciar chuvas, e desejava estender essa prática ao nordeste brasileiro.

Figura excêntrica…

Frederico de Marco era um homem sério, sisudo, de cabeleira esparsa, tez acentuada e vestido de preto. Mantinha um consultório médico em sua cidade natal, Araraquara, instalado em um casarão na esquina da Rua Gonçalves Dias com a Avenida Espanha. Lá, no porão, havia um complexo de aparelhos médicos e científicos onde atendia os clientes. Nas paredes podia ser visto rabiscados fórmulas, símbolos e equações e nas mesas, sempre inúmeras provetas, ferramentas e cadernos de anotação.

Era considerado um excêntrico por muitos devido à aparência, incomum para a época, e ao fato de fazer pesquisas científicas que fugiam do entendimento das pessoas. Uns o chamavam de visionário, outros de louco, mas sempre recebeu apoio de inúmeros cientistas, inclusive do exterior. Na cidade corriam boatos que diziam que Frederico de Marco tinha poderes hipnóticos.

Manda-Chuva…

Sua maior façanha foi ter subido em um avião em um dia ensolarado do ano de 1940 e ter feito chover, após jogar sais, preparados por ele próprio, por cima das nuvens. Tal acontecimento foi registrado em uma placa de bronze que ainda hoje existe no Aeroporto Estadual de Araraquara Bartolomeu de Gusmão:

“Perpetua, este marco, como testemunho do povo araraquarense às primeiras experiências de chuva artificial realizadas em 1940 pelo professor doutor Frederico de Marco que, com avião pilotado por Edmundo Lupo, juntamente com Leopoldo Graciato e Benedito Brasileiro de Souza entraram nas nuvens provocando chuva. A fim de firmar a prioridade à posteridade o município de Araraquara colocou no lugar do acontecimento este símbolo histórico.”

Na verdade, suas experiências com chuva artificial começaram em 1914, e em 1917 chegou a realizar experiências em Buenos Aires. Por não perceber interesse das pessoas, apenas voltaria a pesquisar formas de chuva artificial por volta de 1940. Frederico de Marco chegou, inclusive, a criar um foguete de baixo custo que, ao ser lançado, espalhava iodeto de prata nas nuvens e com isso a precipitação ocorria.

Pesquisas…

Frederico de Marco teve reconhecimento internacional e recebeu convites para trabalhar no exterior, mas nunca aceitou. Preferiu não deixar sua cidade natal, onde morreu pobre. Costumava dizer às pessoas: “Jamais usufruirei vantagens financeiras dos meus inventos e descobertas. Sou um intérprete de Deus. Um intermediário entre Ele e a humanidade. O resto não importa.”

Em 1944 despertou o interesse de Einstein, com quem trocou correspondências após praticar experiência sobre o efeito da colisão de fótons. Sua intenção era explicar a natureza da luz.

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